domingo, 9 de outubro de 2016

Marguerite Yourcenar dando na minha cara depois de 15 anos

"- Irmão Zênon - disse o capitão -, acho-o magro, cansado, algo selvagem e vestido com uma túnica tão miserável que nem meu criado usaria. Valeu a pena estudar durante vinte anos para chegar à dúvida, que por si só cresce em todas as cabeças bem formadas?"

E lá continuo eu, uma hora Henrique-Maximiliano, algo ingênuo e romântico com uma pátina de hipocrisia que se depositou qual ferrugem em uma peça maltratada pelo tempo; em outras Zênon, sedento pela verdade, capaz de desistir de quase tudo para atingir um grau de desenvolvimento mais elevado.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Continuação da anterior

Continuando, no embalo

Uma música que você ame a letra

Outra difícil paca. Pensei e pensei, e agora só lembro de uma música da Piaff que chama Milord. Ela fala de um rapaz que é rico e é abandonado por seu amor, uma mulher linda e má. Piaff é uma mulher do porto que o acolhe e o consola em tão triste situação.


Behold! uma mulher em um milhão.


O mais incrível dessa música é a realidade que ela traz à música. Ela faz você ver a música acontecer na sua frente. É uma experiência que só os irmãos Lumière nos fizeram possível #oremos.


Uma música que não tenha letra







Uma música que você odeie

Odeio. Odeio. Odeio.

Pense em todas as suas professoras cantando isso pra você. U_U



Uma música que você quer apresentar às pessoas


Respect!

Essa é uma banda das geleiras que todos deviam ouvir pelo menos uma vez na vida.


Problemas, e nova tentativa.

Sim, minha conduta é vil. E por isso eu sofro as consequências. Ai ai. Mas vamos lá. Hoje são 7 músicas. \o/ #Tirandooatrasofeelings

Uma música que você saiba a letra toda

Essa é indiscutível. Quem na adolescência e até na idade adulta, não fez inúmeros desafios, valendo prêmios inclusive, pra quem soubesse da letra dessa música toda? (ah, essa versão tá muito perfeita, apesar de meio inexata em algumas partes).


Pra mim essa música tem cara de um monte de gente junta, um olhando pra cara do outro procurando os erros de quem estiver cantando

Uma coisa que sempre me frustrou foi o final dessa música. João de Santo Cristo era ruim, era traficante, era perdido na vida, etc etc etc aí no final ele "queria falar pro presidente, pra ajudar toda essa gente que só faaaaazzz sofreeeeerrr"?!?!?!?! Como assim?! Puto anticlímax. Ele perdeu todo o respeito marginal que tinha adquirido ao longo da música. :-(



Uma música com um de seus solos favoritos

Desde que fui apresentada à música atonal que fico meio cabreira com essa história de solo. Massss, lá vai uma música que tem o solo mais mela-calcinha da minha adolescência. Hoje essa música é uma lenda do metal melódico, com vocais chegando a tons inimagináveis para um homem não castrado, e tornando-se um pedido insistente em todo show de metal ("Toca Carry On!!!"), deixando o "toca Raul!" descansando em seu túmulo.  

Na minha época, Angra nem pensava em vir pra Fortaleza, sem grana pra comprar o álbum e baixar CD com uma conexão de 53 kbps era um milagre, o jeito era alugar o CD e copiar. Ainda tinha aqueles artistas que desenhavam o CD todo, e te deixavam com os dedos azuis de canetinha (sim, marcador era só pra gente rycka!)


O solo começa em 2:26. Bangueia galera do metallll \../

Uma música da sua banda preferida

Putz essa é uma das mais difíceis pra mim. Não tenho banda preferida! =O Vou mostrar outro metal que acho muito legal por vários motivos que quero deixar bem claro: são opiniões minhas e só minhas, e ninguém tem nada a ver com elas. A música é King do Almah.


É ao vivo mas tá boazinha a gravação e o som tá ótimo.

Por que escolhi ela, afinal? Por conta do sentimento de frustração e força quase palpáveis que o vocalista colocou nela.

Acompanho o Angra desde um pouquinho antes de o André Matos sair do vocal e o Edu Fallaschi assumir. Quando ele entrou ficou evidente o vácuo que existia na qualidade vocal entre os dois, sendo o André Matos muuuito superior (minhas opiniões, MINHAS!). Ok. O Edu, que esteve algumas vezes na casa do "quase" (quase Iron, por exemplo),  ganhou uma grande chance de mostrar a que veio. Angra na época era uma banda com carreira nacional consolidada e tentando se firmar internacionalmente.

E mostrou. Com Rebirth, a nova formação reconquistou todos os fãs arredios, e ainda arrebanhou mais um bocado. Mas com o tempo eles ficaram "famosos" demais, o Edu pensou que podia ser André e cantava pessimamente músicas da formação antiga, os novos álbuns eram ótimos, herméticos e visionários demais pro público fragilizado que ainda eram os fãs (tanto que só agora, 8 anos depois, muitas "descobriram" o álbum Temple of the Shadows) e acabaram, por motivos quaisquer, se separando.

Ele formou o Almah, banda de "segunda" em comparação ao Angra (sem fama, sem nada) e num show que fui deles, quase tive uma conexão mental com ele quando ele cantou essa música. Bêbado e com o cabelo longo, pintado e alisado todo detonado; nada a ver com o Edu de 3 anos atrás, que tinha ido contar piada no sofá do Jô.

Eu tava no pé do palco, olhando ele cantando essa música com todo o ódio do coração dele, e quando ele chegou nessa parte:


"I'm the king
I'm the king
From my own war
I get the pain
When you build around yourself
Golden walls it seems
like your shell
But watch your acts
be prepared when
Fall your mask"



Eu pensei "putzgrila, ele tá cantando da derrocada dele!" A música toda é assim. Um lamento pelo que se foi, um aviso a quem tentar se aventurar. E o vi, o rei deposto, que ainda o é no coração, que não vai desistir tão fácil de sua coroa.


Ele mostrou uma flexibilidade vocal muito boa, demonstrou talento pro vocal rasgado. Tempos depois o Angra se reestruturou. Pessoalmente acho que ele devia deixar o fantasma do André pra trás e trilhar seu próprio caminho, como o rei que é. :P

terça-feira, 20 de setembro de 2011

(não) Cumprir promessas, falta de malícia da infância, como eu (não) aprendi a rebolar

Não durou nem um dia minha convicção de postagem diária. :-(  Mas uma coisa que aprendi foi que o mais valoroso é a não desistência diante da falha #animefeelings

Pra compensar hoje postarei duas músicas.

De acordo com o desafio, ontem deveria ter postado  Uma música que você ache engraçada. Só lembro dos inesquecíveis e inoxidáveis Mamonas Assassinas.


Eu, uma linda e inocente criança dos seus 10-11 anos, escutava as músicas deles e sentia aquele friozinho na barriga de estar "falando nome" com uma ótima desculpa (pelo menos pra mim). Lembro em especial d'O Mundo Animal porque eu ria com a música mas só ANOS depois que entendi os versos dela. Lesada.


A música de hoje deve ser  Uma música que te faça dançar.

Nesse tópico, eu lembro justamente da minha segunda série (terceira pros novos padrões). Onde nós dançamos no São João a música "Massa de Mandioca" do Mastruz com Leite. Problema: o refrão. Eu não sabia peneirar! Essa incrível arte pressupõe que a peneiradora por um motivo blá qualquer rebole. Tive até aula particular com minha mãe. Saiu tosco. Mas me achei no dia. :D E até hoje fico balançando os dedinhos quando ela toca (nunca admitirei que danço pra muita gente no meu campo de visão).



Foi desse jeito que a gente fez. Eu sem a parte da coordenação.

domingo, 18 de setembro de 2011

Sobre como tocar piano em caixas de K-7 e desilusões de natal

Esse post é o primeiro de uma série de 250 (sim, pasmem) em que postarei uma música, relativa a um tema proposto, todo dia. Será que eu, a rainha volubilidade, vou conseguir fazer uma coisa dessas? Vamos ver. :)


Minha vontade: Opa, pra cá... isso... nãão, não... ééééééé... vai... vai...


O primeiro desafio é apresentar uma música que lembre sua infância. Ok. O que me vem à mente é uma música do Nat King Cole, chamada Unforgettable. Eu gosto mais da versão que tem a filha dele.



Por quê eu lembro dela? Bom, pelo mesmo motivo daquela do tio Frank de uns posts atrás, E porque eu pegava  as fitas K-7 dos meus pais e enfileirava todas elas num vão d'A Estante pra fazer de teclas.

Eu me sentia uma concertista famosa, tocando em teatros lotados, sendo aclamada; os compartimentos d'A Estante eram os tubos do meu órgão que levavam meu som para o céu (sim, eu era uma criança delirante).


Imaginava algo por aí...

Por mais simples e radiofônica que essa música seja, por mais que essa versão seja a cara da Nathalie (a Cole King) querendo vender sua voz às custas do pai morto, por mais que minha mãe fizesse cara de dor quando a música tocava (principalmente pela "cachorrada" da filha do Nat, o qual não merecia um rebento tão ingrato e sem talento), eu escutava a música e viajava pra outras dimensões. 

A voz do Nat sempre teve esse poder sobre mim.  Me transporta pra outros lugares, despertando imagens e sensações vindas do inconsciente coletivo ou das vidas passadas (dependendo da sua crença). Na época eu era mais vulnerável. Não racionalizava minhas experiências, e por isso mesmo elas eram muito intensas e arrebatadoras. 

O resultado de tudo isso, foi que no natal, eu ganhei um teclado eletrônico. De brinquedo. E eis o meu primeiro trauma de natal.


Porra, Papai Noel, tudo a ver com o que eu queria né? :(


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Inquieta

Parecendo que tomei 3 canecas de café preto.

Ou ainda um gato todo eriçado.

Muito inquieta pra escrever qualquer coisa. Prosa, ou verso.

Vamos ver o que é que dão as "aventuras muito loucas".

bjomeliguem

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

À propósito do tempo

Sou leitora assídua da revista Papo de Homem, que possui matérias para todos os gostos, tanto femininos quanto masculinos (e não estou me referindo ao sexo dos leitores). Ela começou como um blog e mantém muitas características desse tipo de suporte: é eletrônica, gratuita e de acesso livre, e as matérias correspondem a postagens dos colaboradores de cada pauta da revista;  

Quem me mostrou foi o Hemerson e desde então recebo comodamente os feeds no meu email.

Eu sou a do braço pra baixo, à direita e o Hemerson é o que está surfando na frente, tá vendo??? fotosmiúdasfeelings @_@


Na segunda-feira li uma matéria do Fábio Rodrigues, que fala de um vídeo feito a partir de um texto de André Dahmer, que está bem à propósito do "tema do dia". Abaixo o texto:
Ao completar trinta anos, você ganhará os olhos duros dos sobreviventes. Só verá sua amada na parte da manhã e da noite, só encontrará seus pais de vinte em vinte dias. E quando seus velhos morrerem, você ganhará um dia de folga para soluçar e gritar que deveria ter ficado mais próximo deles. Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada. O trabalho é uma grande cadeia e você sentirá muito alívio por ter uma. A cadeia engrandece o homem. E o sangue do dinheiro tem poder. Reze. Reze ajoelhado por uma carreira, dê a sua vida por ela. Viva como todo mundo vive, você não é melhor que ninguém. Porque o dinheiro move montanhas, o dinheiro é a igreja que lhe dará o céu. Sorria, você é um jovem monolito e o mundo é uma pedreira. Eles irão moer você todinho. De brinde, muitos domingos para chorar sua falta de tempo ou operar uma tendinite. Nas terríveis noites de domingo, beba. Beba para conseguir dormir e abraçar mais uma monstruosa segunda-feira. Aquela segunda-feira que deixa cacetes moles e xoxotas secas para sempre. A vida é uma grande seca, mas ninguém sente calor: Nas salas refrigeradas, seus colegas de trabalho fabricam informação e, frios, sonham com o dia dez do próximo mês. Você é o Babaca do Dia Dez, não há como mudar o seu próprio destino. Babaca que acorda assustado, porque ninguém deve atrasar mais de vinte e cinco minutos. Eles descontam em folha e você é refém da folha, do salário, do medo. Ninguém tem o direito de ser feliz, mas você ganhará a sua esmola de seis feriados por ano. E todos nós vamos enfrentar, juntos, um imenso engarrafamento até a praia. Para fingir que ainda estamos vivos. Para mostrar que ainda somos capazes de sentir prazer. Para tomar um porre de caipirinha sentado em uma cadeirinha de praia. É uma grande solução. E você ainda ganhará quinze dias de férias para consertar a persiana, pagar contas, fazer uma bateria de exames. Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração. Eu não duvido da sua capacidade de vencer: Lembre disso no primeiro divórcio, no primeiro infarto, no primeiro AVC.”
André Dahmer

Além da depressão recorrente  neste blog, espero que mais que sentir a prazerosa sensação de vazio no estômago, a bola na garganta e a aniquilação que sempre vem quando falam exatamente aquilo que você queria dizer, mas não sabia como, este texto te faça mudar.

Não estou dizendo pra sair por aí pelado e fazer helicoptéro pro seu chefe se você for homem, lógico, ou virar hippie, apesar de ser uma opção dependendo da vontade ou da raiva do chefe, só que comece a viver prestando atenção na sua vida

 Veja o movimento. Reflita.


Assumo que é muito mais fácil pra mim, ligar o automático na semana e dormir o fim de semana inteiro, no entanto a vida não é só isso. E como não sei se vai ter alguma coisa do outro lado, e se tiver, se vai ser legal ou não, talvez seja melhor fazer de agora o mais divertido que puder, e mandar descer a conta depois.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tempo II ou Ajudando a Pensar

Não sei com outras crianças, mas uma das coisas que me ajudam a atenuar meus não raros momentos de angústia, é fazer alguma atividade manual como cozinhar, limpar e organizar pensaram besteira, hein safadeenhos?

Os mais chegados no zodíaco dirão: "uma maldita virginiana". ok, admito. Não consigo nem começar a trabalhar se tudo o que vou precisar não estiver na mesa, se eu não tiver um plano de atividades a ser seguido mesmo que nunca o siga, etc. etc. etc. Admito novamente. Sou uma chata. Já fui brindada mais de uma vez com esse elogio.

Mas como nem sempre estou em um canto onde possa pegar uma vassoura ou uma colher de pau, ou estou só com preguiça mesmo, outra coisa que me ajuda são joguinhos de quebra-cabeça. 

O último que está me viciando auxiliando terapeuticamente chama Bloxorzgame. Um jogo demoniacamente simples e nem por isso menos complexo. 


É Fácil? Tentaí.


Seu objetivo é rolar um bloquinho por cima de uma plataforma suspensa sobre o "nada" e derrubá-lo em um buraco, passando de nível. Como eu disse, simples. A beleza do jogo está nos detalhes. As plataformas são arrumadas, algumas vezes, de forma a permitir a passagem do bloquinho somente de um jeito, e são feitas de diferentes materiais, mais, ou menos resistentes. Além de ver, é possível ouvir o bloquinho cair e rolar pelos diferentes materiais, um prato cheio pros sinestésicos.

Eu, como uma negação em qualquer coisa que seja 3D, ainda estou nível 7. Mas já ouvi notícias de um épico nível 30.

bjomeliga

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Tempo

Essa e a outra postagem vão falar sobre isso: Tempo.

Resolvi parar de dizer que não o tenho. Além de imprecisão física, pois o tempo realmente nem existe, é uma inverdade, pois se consideramos o tempo unidade arbitrária para lidar de forma equitativa com os movimentos de rotação e translação da Terra no espaço (que é curvo como o tio linguarudo disse, e não linear como o vô contundido falou), posso utilizar e fazer o que quiser com essas pequenas unidadezinhas.

Ahá. Este é o ponto o fim da enrolação se você seguiu o raciocínio até aqui. Ou não. Ter ou não tempo é mais uma questão de escolha, raciocínio e planejamento, que de tempo.

Logo, não compactuarei com a esquizofrenia coletiva. Tempo eu tenho. Usar ele direito é outra história.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Véspera

Diante da percepção que as coisas podem se estender mais que o esperado e de forma dolorosa, como meus dias de trabalho, entre muitas outras coisas que atualmente me aperreiam o juízo, o sentimento emo de desânimo impera.

Então deixo aqui a letra-poema de uma música emo 'recente' que está embalando minhas maravilhosas horas de pré(?)-recesso-ultra-mágico-que-não-vai-ser-nada-tedioso-mesmo-eu-ficando-em-casa-chocando-os-ovários-e-limpando-a-casa-sem-grana.

"Sem o pálido corpo que me prende ao vento
Eu ando louco no limite do tempo
Eu sei que o mundo não comporta mais deuses
E sei que o amor não me suporta mais vezes
Mas eu assumo o que suas preces pedem
E eu consumo o que seus lábios cedem

Que sirva de exemplo o primeiro fracasso
e sirva de exemplo o meu olho inchado
e sirva pra te elevar o ânimo enfim

Eu prefiro correr sob céu aberto

Em campo aberto sob a chuva de sapos
Prefiro morrer sob o sol do cerrado
A ter que dizer o que eu tinha pensado
Sobre os murros que seus olhos pedem
e sobre as rugas que você me tece

Que sirva de exemplo o primeiro fracasso

e sirva de exemplo o meu corpo malhado
e sirva pra te elevar o ânimo enfim" 

Glória - Violins

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Post inspirado nesse post: http://henriqueat.blogspot.com/2010_11_01_archive.html

Meu professor de cálculo disse que a genialidade está no número de associações que podemos fazer.
Encontrar pontos de encontro entre coisas singulares.

Será essa a grande brincadeira da vida?


O pobre pentágono não teve tanta sorte

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pergunta Filosófica

Para reflexão durante a semana:



É você que tem os sentimentos, ou são os sentimentos que te tem?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Millenials. É isso que somos?

Este é um vídeo feito pela agência Box 1824, que nos dá uma rápida aula sobre os baby boomers pós II Guerra Mundial, e fala sobre os jovens de agora, nascidos após 1980, os chamados Millenials.


We All Want to Be Young (leg) from box1824 on Vimeo.

Roteiro e direção: Lena Maciel, Lucas Liedke e Rony Rodrigues.
  
Fiquei pensando um tempinho enquanto preenchia minhas intermináveis planilhas. Sim, me identifiquei bastante com a tendência apresentada, mas o mais intrigante é constatar que muitos jovens vivem a realidade descrita como a da juventude de 50 anos atrás. Não é uma cantilela contra a desigualdade social. 

Essa gente, ideologicamente, vive uma realidade 'Anos Dourados'. Não é falta de dinheiro, não é falta de viagens ou oportunidade de ter enriquecimento cultural. E o mais alarmante, são MUITAS pessoas.

Fico imaginando se esse vídeo não é apenas uma representação de uma fatia mínima da juventude e que seremos mesmo engolidos pela massa calvinista que nos cerca e acordaremos um dia olhando um catálogo de sofás, pensando em qual 'nos define melhor'.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Neruda e os sentimentos de madeira II


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


E quem disse que a vida é justa, e que as contradições não existem?
Quem sabe um dia consigo deixar de pensar e arranjo coragem para viver.

Neruda e os sentimentos de madeira

Meus sentimentos são madeira e mar. Assim como a poesia de Neruda é esculpida, meus sentimentos também o são. Por um ou vários pares de mãos. Contínua e incessantemente.

Por isso vejo meu rosto em suas obras (diferente, mas ainda meu), por isso leio seus(meus) versos avidamente nessa noite interminável.

Então, pelas palavras dele, meus lábios expressam aquilo que não são capazes de pronunciar:


Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada, 
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe". 
O vento da noite gira no céu e canta.


Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 
Eu amei-a e por vezes ela também me amou. 
Em noites como esta tive-a em meus braços. 
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.


Ela amou-me, por vezes eu também a amava. 
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos. 
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. 
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.


Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela. 
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho. 
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la. 
A noite está estrelada e ela não está comigo.


Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe. 
A minha alma não se contenta com havê-la perdido. 
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a. 
O meu coração procura-a, ela não está comigo.


A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores. 
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos. 
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei. 
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.


De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos. 
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos. 
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda. 
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.


Porque em noites como esta tive-a em meus braços, 
a minha alma não se contenta por havê-la perdido. 
Embora seja a última dor que ela me causa, 
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.


Isto é um adeus? Certamente.
Escrevo isso com o gosto agridoce da culpa em minha boca.

Madrugada Insone

Minha insônia é muito maleducada.
Não respeita minimamente nem o fato que amanhã terei que atravessar metade da cidade pra trabalhar.
Minha mente segue funcionando, e o corpo fatigado terá sua vingança em algumas horas.

Pena que não posso deixar ele descansar. Isso terá que ficar pra mais tarde, à noite, ou não.

domingo, 7 de novembro de 2010

Sentido

Interessante essa palavra.

Indica sempre um rumo, um lugar pra onde ir, um sentimento. Mesmo quando é um adjetivo.
Nós dizemos que uma palavra tem 'sentido'. Ou seja, ela tem uma organização. Um rumo. Não está perdida no caos.

É meio clichê pra essa geração. Mas sim, estou perdida. É um saco isso. Porque essa 'perdição' é algo que nem existe na verdade, já que todas as respostas estão na minha frente, pacientemente esperando o dia em que eu queira levá-las à sério.

Então, raciocinando um pouco, a palavra mais correta pra necessidade premente do momento é "sentido". Eu, você, meu cachorro, a gata das minhas primas de recife, minhas primas de recife, meus amigos 'virtuais' e 'presenciais'. Todo mundo precisa disso.

Um rumo. Um significado. Um sentimento. Um sentido.

Domingo

Dia de não pensar em nada.

Impossível.

Incrível como quem não pára de pensar nunca pensa no que preste.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Música para o feriado - Sob minha pele

Estava passeando pelo youtube quando dei de cara com essa música:

dá o play e continua lendo...

Nem me passava pela lembrança, mas quando comecei a escutar os acordes, exatos, como deviam ser, várias imagens vieram à tona.

Eu devia ter uns 5 anos e lembro d'A Estante de madeira. Um gigante de linhas simples e madeira nobre. Abrigava em suas entranhas tesouros fascinantes que eu dificilmente tinha acesso (livros e cartas de amor dos meus pais, álbuns de retrato antigos, um microscópio de um jogo de química de quando meu pai era criança, lâminas para este tal microscópio, um jogo de xadrez com pinos de encaixe pra se jogar em um carro, ou um trem pela idade da peça, e também a Radiola. Não apenas LP's mas rádio também. Última geração).

Também lembro que me parecia que essa música sempre tocava no rádio nas noites em que saíamos pra caminhar na praça. Mamãe ou papai nos arrumavam (eu e minha irmã gêmea), e nós ficávamos na sala esperando nossos pais ansiosas, ouvindo essa música e algumas outras que agora não, mas se ouvi-las com certeza lembrarei quais.

E finalmente a mamãe e o papai, dançando pela sala, dois pra lá, dois pra cá, no final da música,  abraçados, o olhar dos dois que me deixava feliz e com vontade de dançar também.

Eu tão pequena, nem sabia do significado da letra e me divertia com a melodia e o som da voz do tio Frank. Hoje, por causa justamente dessas noites em que não "entendia" a música, fui capaz de entendê-la muito profundamente, de um jeito que acho que ele nem pensava que pudesse ser.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Constatação

Não me deixa.
Até os confins da terra,
no meu quarto,
escondo-me,
mas está lá.

Não há fuga
pois não há prisão.

Não há abandono,
fadada que estou
sempre carregá-la.

Mesmo que negue,
a imagem que
me contemplará

insondável
incansável

até o fim,
será somente a minha.